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Notícia de 09/11/2008: Acidente com submarino nuclear coloca dúvidas sobre capacidade militar da Rússia | Folha |
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A morte de 20 pessoas a bordo de um submarino nuclear por causa de um acidente ocorrido neste sábado representa uma nova contrariedade para Moscou, que está apostando tudo em reafirmar sua força militar e seu papel de grande potência no cenário internacional.
O acidente com o submarino nuclear da Frota do Pacífico russa aconteceu durante testes marítimos em águas do Mar do Japão e causou a morte de seis soldados e 14 trabalhadores de estaleiros, além de ter deixado 22 feridos. Segundo um especialista militar, é provável que o acidente, provocado por uma emissão de CFC (cloro-flúor-carbono) após a ativação não autorizada do sistema antiincêndio do submarino, tenha sido causado pelo cumprimento incorreto do plano de trabalho por parte dos estaleiros, encarregados de realizar os testes. O acidente também acontece em momento ruim porque o presidente russo, Dimitri Medvedev, deve assistir, no final de novembro, com o colega venezuelano, Hugo Chávez, a algumas manobras marítimas em águas venezuelanas. Além disso, na última quarta-feira (5), no dia seguinte à eleição de Barack Obama como novo presidente dos Estados Unidos, Medvedev pronunciou sua mensagem anual sobre o estado da nação centrado em críticas aos norte-americanos. E também fez uma velada ameaça ao anunciar a instalação de mísseis Iskander na região russa de Kaliningrado, entre a Lituânia e a Polônia, como resposta ao projeto de escudo antimísseis que Washington pensa colocar na Polônia e na República Tcheca. Histórico "'Depois da catástrofe do Kursk, em 2000 [quando 118 pessoas morreram], e os vários incidentes sucessivos, o ocorrido no sábado é um duro golpe para a indústria militar russa", afirma Pavel Felgenhauer, analista de temas de defesa. Para Felgenhauer, o acidente representa um grave dano para esse setor, principalmente porque o submarino acidentado, da classe Akula, o mais rápido e silencioso da marinha russa, estava destinado a ser alugado com opção de compra pela Índia. "No que diz respeito à opinião pública internacional, há pessoas que sabem muito bem que a Rússia não se fortaleceu", enfatizou Alexandre Goltz, especialista em temas militares da revista russa on-line "Iejednevny Journal". "Nossas forças armadas readquiriram em grande parte seu potencial de combate, mas a direção militar deve, no entanto, analisar não apenas os êxitos, como também os fracassos", declarou Medvedev na última quarta-feira (5). Quanto às exportações de armas russas, "é fácil ser fabricante de armas se o que se produz é tecnologia que data dos anos 40", ironizou Bob Ayers, analista do centro de pesquisas Chatham House, de Londres. "A questão é saber quem quer comprar armas russas." Investimento Os dirigentes russos tentaram usar dos grandes recursos petroleiros do país para reavivar a indústria militar russa, que, nos anos 90, depois da queda da URSS, entrou quase em colapso. No entanto, o setor se encontrou em situações delicadas nos últimos anos e, inclusive, teve dificuldades para satisfazer uma encomenda da Índia de um porta-aviões da época soviética modernizado, o Almirante Gorchkov. Os analistas assinalam um amplo leque de problemas dentro do Exército russo, como o moral baixo das tropas, a prática de trotes violentos e a diminuição do número de especialistas técnicos na indústria militar. "Está claro que a desorganização que reina há muito tempo nas forças armadas e no setor militar-industrial e a ausência de normas de segurança rígidas têm um impacto negativo nas forças militares russas", comentou Evgueni Volk, analista da Heritage Foundation. "Como se isso não bastasse, o recente acidente com o submarino levanta muitas perguntas sobre a segurança da energia e das armas nucleares russas", acrescentou. | Outras notícias | Imprimir | |