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Notícia de 07/11/2008:
Lula apela no G20 por mudanças nas finanças globais
Reuters

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrou neste sábado que o governo brasileiro vai insistir para que o sistema financeiro global passe por uma séria reforma, num processo que deve culminar com o aumento da participação das economias em desenvolvimento nos processo decisórios sobre as finanças internacionais.

Na abertura da reunião de ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do G20 --grupo das principais economias do mundo--, Lula criticou mais uma vez o que chamou de "crença cega" na capacidade de auto-regulação dos mercados e a "falta de controle" sobre as atividades dos agentes financeiros, o que para o presidente foram fatores determinantes para a crise global que se arrasta há mais de um ano.

"Esse sistema ruiu como um castelo de cartas e com ele veio abaixo a fé dogmática no princípio da não intervenção do Estado na economia", salientou o presidente durante o discurso de abertura da reunião do G20, que acontece na capital paulista até domingo.

Lula reforçou o recado dado pelo ministro da Fazenda Guido Mantega, na véspera, sobre a importância de se ampliar o grupo de nações com poder de voz nas discussões sobre as finanças internacionais, deixando mais uma vez claro que países como o Brasil, Índia, China e Rússia --conhecidos como Bric-- não querem mais ter um papel secundário nestas discussões.

"É amplamente reconhecido que o G7 sozinho não tem mais condições de conduzir os assuntos econômicos do mundo. A contribuição dos países emergentes é também essencial", disse.

Pacto
Lula deixou claro que o Brasil está disposto a assumir responsabilidades e trabalho, em conjunto com outros países, para ajudar na definição de diagnósticos e apresentação de propostas para solucionar a crise.

"Esta não é a hora de nacionalismos estreitos, de soluções individuais. É hora de um pacto entre governos para a criação de uma nova arquitetura financeira mundial", afirmou.

Autoridades do G20 estão reunidos em São Paulo para definir maneiras de lidar com a crise financeira global e preparar a cúpula do próximo final de semana em Washington, que contará com chefes de Estado do grupo que inclui os 19 países mais industrializados do mundo e a União Européia.

Lula voltou a defender que os líderes mundiais precisam evitar, a todo custo, apelar para soluções individuais e protecionistas como alternativa para resolver os problemas decorrentes da crise financeira.

"O Brasil acredita que os países devem evitar a tentação de utilizar o protecionismo financeiro e comercial como artifício para superar a crise", disse.

Para o presidente, o momento é ideal para que as negociações da rodada de Doha sobre o comércio mundial sejam retomadas e o acordo seja finalizado.

"A maior abertura do comércio mundial é um excelente antídoto contra a crise, uma das melhores medidas contra-cíclicas que poderemos tomar. A conclusão da Rodada deixou de ser uma oportunidade e passou a ser uma necessidade", disse.


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