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Notícia de 01/11/2008:
Diplomacia européia se mobiliza para pôr fim a conflito Congo
Folha

Os ministros das Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner, e britânico, David Miliband, se reuniram neste sábado com o presidente da República Democrática do Congo (RDC), Joseph Kabila, para tentar pôr fim à crise humanitária do leste do país.

"O assunto central da reunião foi a urgente necessidade de pôr em prática os acordos aos que já se chegaram", disse Miliband, que não se mostrou partidário de redefinir o acordo de paz assinado em janeiro entre Kabila e os rebeldes.

Os representantes europeus, que disseram querer "restabelecer o contato entre o governo de Kinshasa e os rebeldes como passo prévio para as conversas de paz", destacaram a "vital importância da política" no conflito para "evitar que haja mais vítimas".

Miliband e Kouchner seguem então a Kigali, em Ruanda, onde se reunirão com o presidente local, Paul Kagame, acusado por Kinshasa de apoiar a rebelião armada do general tutsi Laurent Nkunda.

Os dois ministros querem discutir com presidentes da RDC e de Ruanda sobre a proposta de uma cúpula em Nairóbi, no Quênia, na qual os dois mandatários, segundo informou a Comissão Européia (CE, órgão executivo da União Européia), já confirmaram presença.

As ONGs e os diferentes governos continuam enviando ajuda à Província de Kivu Norte. O Reino Unido anunciou uma doação de US$ 8 milhões e se espera a chegada de 10 toneladas de remédios e equipamentos médicos fornecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo governo da Itália.

Kouchner declarou durante sua visita que a UE está preparada para enviar ajuda humanitária à RDC, mas que ainda está estudando se enviarão ou não efetivos militares.

Reforço militar
No entanto, o ministro britânico para a África, Malloch Brown, disse à BBC que a UE estava preparando um contingente, que seria enviado à RDC caso os capacetes azuis da ONU na região não forem suficientes para controlar o conflito.

Embora a situação em Goma retorne progressivamente à normalidade graças ao cessar-fogo declarado há três dias pelos rebeldes, a maioria dos trabalhadores das ONGs, que foram retirados da região há poucos dias, ainda passam as noite em território ruandês.

"O ambiente em Goma está muito mais calmo pelo cessar-fogo e isso está permitindo que o povo volte a seus lares, mas retornamos a Ruanda todas as noites por precaução", disse à agência Efe Samuel Nagbe, coordenador da ação humanitária da Oxfam Internacional na região.

O conflito criou um grande número de deslocados. A Oxfam, que conta com quatro acampamentos em Kivu Norte para atender aos deslocados internos pelo conflito, viu em apenas dois meses o número de congoleses que precisão de ajuda aumentar de 45 mil para 65 mil.

Refugiados
Ontem, o porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), Ron Redmond, afirmou que se calcula que o número de deslocados na região do conflito seja de cerca de 1,2 milhão de pessoas, em comparação aos 847 mil pelos cálculos de abril.

O começo do atual conflito no país africano remete a 1998, quando os rebeldes tutsis de origem ruandesa, liderados pelo ex-general Nkunda, se rebelaram contra do governo de Kabila.

Cerca de cinco anos depois, as duas partes assinaram um acordo de paz, mas Nkunda voltou a se rebelar em 2004 contra as autoridades de Kinshasa após acusar o Exército congolês de utilizar as milícias hutus ruandesas Interahamwe para atacar as aldeias de sua comunidade na região.

Rebeldes hutus agem nas florestas do leste do Congo desde o genocídio de Ruanda, em 1994, segundo a ONU.

As Nações Unidas estimam que nos cem dias de genocídio em Ruanda, a maioria hutu matou cerca de 800 mil tutsis e hutus moderados.


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