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Notícia de 03/03/2010:
Lula diz que não é prudente "encostar o Irã na parede"
Reuters

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que não é prudente "encostar o Irã na parede", mas sim investir no diálogo para resolver o impasse sobre o programa nuclear da República Islâmica.

As declarações foram feitas pouco antes de um encontro de Lula com a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, que busca o apoio do Brasil, que ocupa uma cadeira rotativa no Conselho de Segurança da ONU, para impor novas sanções ao Irã por seu programa nuclear.

"Não é prudente encostar o Irã na parede, o que é prudente é estabelecer negociações", afirmou Lula a jornalistas.

O presidente voltou a defender o uso de energia nuclear para fins pacíficos. "Se o Irã tiver concordância com isso, o Irã terá o apoio do Brasil", afirmou Lula.

Sobre um possível pedido de apoio brasileiro da secretária dos EUA contra o Irã, Lula disse que a questão deve ser tratada com o chanceler Celso Amorim, que recebeu Hillary antes do encontro dela com o presidente.

"Primeiro, ela não deve pedir a mim, ela deve pedir ao Celso Amorim. Eu estou recebendo a secretária Hillary a pedido do companheiro Celso Amorim, mas as negociações que ela tem que fazer e os assuntos que ela tem que tratar são com o ministro Celso Amorim", afirmou.

Lula, que disse já ter tratado com líderes mundiais, incluindo o presidente norte-americano, Barack Obama, sobre a posição do Brasil com relação ao Irã, acrescentou que pretende ter uma "conversa muito franca" com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, sobre a questão.

"Se o Irã quiser ir além disso (uso pacífico da energia nuclear), o Irã irá contra o que está estabelecido na Constituição brasileira, e por isso nós não podemos concordar", afirmou o presidente.

Lula tem viagem prevista à República Islâmica em maio. Ahmadinejad esteve no Brasil em novembro do ano passado, quando Lula também defendeu o direito iraniano a um programa nuclear com fins pacíficos.

Mais cedo nesta quarta-feira, Hillary foi recebida no Congresso pelos presidentes do Senado, José Sarney, e da Câmara dos Deputados, Michel Temer.

Os temores de que o Irã produza armas nucleares e o relacionamento do Brasil com o país do Oriente Médio foram alguns dos temas discutidos nos cerca de 40 minutos que Hillary permaneceu com os parlamentares brasileiros.

Segundo Sarney, a secretária pediu que o Brasil colabore para a não-proliferação de armamento nuclear.


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