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História da Astrologia


A Astrologia é considerada uma das mais antigas formas de conhecimento. A sua origem perde-se nos tempos. A História da Astrologia confunde-se com a história da humanidade.
Esta arte teve, provavelmente, a sua origem em tempos remotos quando a vida dos seres humanos estava intimamente ligada ao ciclos da Natureza.

A origem...
Num mundo de caçadores e recolectores, os ciclos mais importantes seriam os ciclos lunares e os das estações. Estes ciclos condicionavam a caça e o tipo de alimentos disponíveis.
A observação e estudo destes ciclos naturais levou o ser humano a criar todo um corpo de conhecimentos. A vertente simbólica e mística destes conhecimentos viriam a constituir as bases da Astrologia, enquanto o aspecto "matemático" constituiria, mais tarde, a Astronomia. Até muito tarde na história da humanidade estas duas vertentes do conhecimento foram indissociáveis.
Embora o vestígio mais antigo de observação Astrológica/Astronómica seja de 15.000 AC, a Astrologia, tal como a entendemos hoje, só começa a desenvolver-se com o sedentarismo causado pelo aparecimento da Agricultura (10.000 a 5.000 AC). A necessidade de compreender os ciclos torna-se vital para as colheitas. Com a atribuição de cargas simbólicas a estes ciclos, desenvolve-se toda uma mística e uma metafísica ao redor do estudo dos astros.


Período Mesopotâmico
Os primeiros astrólogos aparecem em 4.000 AC com o desenvolvimento das civilizações mesopotâmicas e egípcias no Médio Oriente. Começam nesta altura a desenvolver-se os métodos de observação e cálculo astronómico; paralelamente, desenvolvem-se também algumas das bases fundamentais da Astrologia, nomeadamente, o conceito de Zodíaco, as características planetárias e a atribuição das regências. Os astrólogos desta época são conhecido por "caldeus", por grande parte deste conhecimento desenvolveu-se na Caldeia. Todo o panorama religioso é favorável ao desenvolvimento da Astrologia. Aliás, esta é praticada por sacerdotes, enfatizando o seu lado mágico, religioso e sagrado. A Astrologia é utilizada para o estudo e previsão de eventos colectivos. Os horóscopos individuais raramente são utilizados; geralmente, são feitos apenas para os reis ou para figuras muito importantes para a nação.

Período Grego
Por volta de 700 AC a expansão das rotas de comércio e do contacto entre os povos leva a que muito do conhecimento filisófico, religioso e místico seja difundido. O interesse dos gregos pela Astrologia começa a crescer.
A civilização grega vai dar um grande impulso ao desenvolvimento da Astrologia. Figuras muito importantes, como Pitágoras, vão trazer do Médio Oriente todo um manancial de conhecimento que será apurado ao longo de séculos. Surgem nesta altura as teorias geométricas e as grandes bases filosóficas que sustentam a Astrologia moderna. Grandes pensadores gregos, como Anaximandro, Platão, Anaximenes e Aristóteles vão desenvolver a Astronomia e a Astrologia com a criação de modelos físicos e metafísicos do Universo.
Com os gregos, a Astrologia torna-se um estudo organizado e adquire um estatuto escolástico.
A civilização grega vai definir as bases filosóficas e promover a estruturação da Astrologia desenvolvida pelas civilizações do Médio Oriente. Até aqui a Astrologia tinha uma função religiosa que passa a ser substituída por uma abordagem mais intelectual e escolástica.
Nos séculos que antecederam o nascimento de Cristo, a Astrologia esteve principalmente centrada no estudo de determinados momentos e na análise de situações mundanas, cultivando uma carga muito fatalista e determinista.
Só na viragem do primeiro milénio da Era Cristã é que os horóscopos individuais passam a desempenhar um papel importante. Desenvolve-se a Astrologia Natal e com ela implementam-se e reestruturam-se uma série de conceitos, entre eles o Ascendente e as Casas Astrológicas.

O Novo Milénio
Nos primeiros séculos da Era Cristã surgem uma série de pensadores e de astrólogos. Escrevem-se muitos tratados e manuais. Destes estudiosos destaca-se Claudius Ptolomeu que na sua obra "Tetrabiblos" reune grande parte do conhecimento astrológico da época. Este livro vai tornar-se mais tarde uma das grandes bases da Astrologia Árabe e Europeia. Com o crescimento do Cristianismo e queda do Império Romano (410 DC) surge duma forte corrente de anti-paganismo e a Astrologia torna-se pouco tolerada. Só determinadas abordagens são oficialmente toleradas embora a Astrologia continue a ser praticada na clandestinidade. Com a constante hostilidade por parte da crescente religião cristã, a Astrologia refugia-se no mundo árabe.

Período Árabe e Medieval
A partir de 632 DC os Árabes vão tornar-se uma das grandes potências do mundo ocupando todo Médio Oriente, Norte de África e Europa. Os Árabes vão reunir todo o conhecimento grego, sumério, babilónico e persa, entre outros. Eles vão preservar o conhecimento antigo e desenvolver a Arquitectura, Medicina, Astrologia/Astronomia, Filosofia, etc. Por volta 700 DC começam a surgir no mundo árabe grandes pensadores, cujas obras de Astrologia vão influênciar e modelar o pensamento Astronómico/Astrológico ocidental. Com o avanço dos reinos do Norte sobre os territórios ocupados pelos Árabes inicia-se uma troca de conhecimento que vai permitir o desenvolvimento e a renovação da Astrologia no mundo cristão. Muitas obras árabes e gregas vão ser traduzidas, e muito do conhecimento perdido é recuperado. Os astrólogos conquistam um papel importante na sociedade, actuando como conselheiros junto dos reis e nobres. No entanto, os atritos com a Igreja continuam, atingindo o seu auge com o surgimento da Inquisição em 1536.

Declínio e Renascimento
O declínio da Astrologia começa a fazer-se sentir com a Inquisição e, mais tarde, o Iluminismo, o desenvolvimento da Razão e a chamada "abordagem ciêntifica". A separação final entre a Astrologia e a Astronomia dá-se em 1650. Ao deixar de ser ensinada na Universidade de Salamanca, em 1770, a Astrologia separa-se definitivamente do meio académico.
As tentativas de ajustar o conhecimento simbólico e metafísico da Astrologia à visão mecanicista do racionalismo científico, causa uma excessiva simplificação e, por consequência, uma perda de qualidade. Também a descoberta dos planetas Urano e Neptuno vai "destruir" a suposta perfeição do antigo sistema astrológico. Na tentativa de serem aceites, muitos dos astrólogos da época vão tentar explicar cientificamente a Astrologia, o que leva à deturpação os princípios fundamentais deste ramo do conhecimento. Podemos, no entanto, encontrar neste tempo alguns nomes sonantes da Astrologia, como Jon Dee e William Lilly.
Na segunda metade do sec. XIX, ocorre um revivalismo do esoterismo e da espiritualidade no Ocidente. Muitos conceitos e ramos de conhecimento esotérico começam a ser estudados e recuperados. Entre estes encontra-se a Astrologia. Infelizmente, com o aumento da popularidade da Astrologia, surgem também os primeiros almanques, que divulgam uma astrologia demasiado simplificada e "popular". Exemplo disso é o aparecimento do conceito do "signo solar" e os primeiros "horóscopos de revista".
Na passagem para o século XX surgem novas correntes de abordagem à Astrologia. Com o surgimento da Psicologia e o crescente interesse no desenvolvimento pessoal nasce a Astrologia Psicológica e a Astrologia Humanista.

Por Helena Avelar e Luís Ribeiro